não estou para títulos…

… nem para escrever, pra falar a verdade. Mas me bateu saudades da “Sala de Anestesia”, como dizia a minha avó.

Não me bateu saudades dela porque essa tem sido uma constante. Tão fofa, quando descobriu o blog me escreveu um e-mail dizendo que não sabia que eu era o 2º crânio do planeta (o 1º era ela).

Sua querida amiga Nilza me disse que nunca viu uma avó amar tanto uma neta, e eu só queria deixar registrado aqui que nunca uma neta amou tanto sua avó.

Sobre cães e gatos

Vou quebrar a regra nº 2 do meu blog e falar sobre política (a regra nº 1 é não ter regras).

Tenho recebido muitos e-mails criticando a candidata Dilma, e digo “criticando” para ser educada. Esses e-mails só reforçam meu voto nela, e são na imensa maioria das vezes e-mails apelativos e preconceituosos. Não queria entrar nessa questão, mas acho que nessa democracia em que vivemos, podemos concordar em discordar. Cada um vota em quem bem entender, e ponto. Essa campanha que fazem não é uma campanha pró-Serra, mas uma campanha contra-Dilma e, se fosse aquela e não esta, seria muito mais respeitada por mim. Acho muito inconsistente se valer do ataque para defender uma opinião diferente da sua.

Então já que vou aproveitar esse espaço para falar de política, vou usar o e-mail que o Paulão, mais conhecido como meu namorado, escreveu como resultado da sua avaliação e que ele assina embaixo porque é o autor. E eu assino embaixo porque faço minhas suas palavras.

(Lembrando, apenas, que a intenção aqui não é mudar a opinião de ninguém, e apenas expressar a minha.)

Eu não sou Dilma por afinidade ideológica. Se tivesse com meus 18, 21 ou 25 anos certamente seria. Mas aos 40, não é isso que basta para que eu confie meu voto a alguém, embora o coração sempre bata mais forte por candidaturas mais identificadas com lutas sociais, mais preocupadas com a população que mais necessita, enfim…com a chamada “esquerda”.

Eu não sou Dilma simplesmente pelo fato de que conheço seu trabalho há muito tempo. Quando fui fazer um trabalho no Rio Grande do Sul há uns 10 ou 12 anos, ocasião em que ela era Secretária de Minas e Energia, tive a oportunidade de conhecer o seu trabalho de perto. Lembro até hoje como sua capacidade de tocar os projetos impressionou não só a mim, mas a todos os envolvidos na época. O RS passou por períodos muito frutíferos por sua conta. Mas só isso seria pouco para decidir meu voto, afinal, nem morava lá.

Eu não sou Dilma também pelo simples fato de que ela lutou contra a ditadura que prendeu, torturou e tanto atrasou esse país, já que o outro candidato (Serra) também esteve nessa luta, embora hoje, infelizmente, a luta dele é mais para parecer que nunca esteve.

Eu não sou Dilma também pelo simples fato de que, através de suas políticas de inserção social, conseguiu, nos últimos 8 anos, tirar da miséria quase 14 milhões de brasileiros. No final do governo FHC/Serra, o Brasil tinha 28,5 milhões de pessoas na miséria. Ao término do governo Lula, esse número está em menos de 15 milhões. Se considerar ainda o aumento populacional, esse número torna-se ainda mais impressionante.

Assim como eu não sou Dilma pelo simples fato de que os 8 anos de governo Lula/Dilma, a geração de emprego formal foi 3 vezes maior do que no período de FHC/Serra.  Afinal, isso só não bastaria. Seriam apenas números, embora já muito relevantes.

Não sou Dilma pelo simples fato de outrora a dívida externa ter sido paga e, agora, o Brasil ser credor internacional, aumentando em muito sua capacidade de investimentos. Também fato isolado do PIB per capita ter aumentado em cerca de R$ 1.000,00 (de R$4.500,00 para R$5.500,00) não é suficiente para que eu faça minha opção.

Também não sou Dilma pelo fato do país deixar de ter uma postura subserviente perante os demais países chamados de desenvolvidos, para passar a ser protagonista na política externa. Não é de graça que um presidente dos EUA disse que o Lula “é o cara”. Certamente a inveja de FHC e sua turma é muito grande por terem passado o mesmo tempo de governo completamente despercebido na política externa.

Eu não sou Dilma também por eventual afinidade partidária. Já votei muito no PT, assim como em algumas eleições optei por candidatos de outros partidos. Nunca fui filiado e sempre procuro votar de acordo com os meus princípios e de resultados obtidos/esperados. Embora o PT seja um partido que, de fato, nasceu de movimentos sociais, de lutas que eu sempre julguei importantes, isso só não é motivo para eu escolher um candidato.

Eu não sou Dilma também pelo fato de sentir, na pele, como o país tem crescido economicamente nos últimos anos. A crise que tanto afetou empresas no mundo inteiro aqui teve reflexos bem menores, muito diferente do que ocorria na época em que governavam o país FHC e Serra. Crises que ocorreram entre 98 e 2001, embora em escala muito menor do que ocorreu há dois anos, tiveram aqui reflexo muito maior na época do governo FHC/Serra. Lembro de passar períodos de grande estagnação econômica e a culpa era, na época, do contexto mundial. O Brasil estava de mão amarradas e a política econômica nada fez para amenizar. Pessoalmente, em 2001/02 lembro que lutávamos para manter a pequena empresa que criei com colegas funcionando aos trancos e barrancos, contando com apenas os sócios e abrindo mão de eventuais lucros  para se manter. Tempos difíceis, que espero não passar novamente… Hoje a empresa cresceu, conta com um quadro profissional de quase 30 pessoas e com as melhores perspectivas, graças ao cenário econômico de investimento que o Brasil tem atualmente que não é fruto do acaso, mas sim de política econômica com muito mais acertos do que erros.

Eu não sou Dilma simplesmente porque, como Ministra de Minas e Energia, conseguiu, por um lado, alavancar a geração de energia para garantir que não tivéssemos que passar por racionamento, como ocorreu no período em que governavam o país FHC e Serra. Por outro lado criou o maior programa de universalização de acesso a energia elétrica através do “Luz para Todos”.  Atividades profissionais me permitiram conhecer (como auditor) a verdadeira extensão desse programa e confesso que não tem como não se entusiasmar quando se vai ao interior de Sergipe ou da Paraíba, ou ainda em áreas isoladas do Tocantins e se vê pessoas que optaram por ficar no campo, produzindo, porque agora têm acesso a crédito e à energia elétrica. Pessoas que na política anterior jamais teriam acesso a serviços básicos em suas residências e certamente já teriam migrado para grandes centros, piorando não só suas vidas, mas a de todos.

Também não é o fato de perceber pessoas da classe D ou C conseguirem hoje viajar de avião e ter casa própria, algo que era impensável há 8 anos, que me faz votar na Dilma.

Assim como também não é simplesmente o fato de estrategistas de campanha do Serra utilizarem os mesmos métodos sujos de campanha que o Collor usou em 89 (caso Mirian Cordeiro para quem se lembra) que me faz votar na Dilma.

Na verdade não é qualquer uma dessas razões isoladas que me fazem votar na Dilma, embora cada uma delas certamente influenciaria, ainda que isoladamente. O que me faz votar na Dilma, conscientemente, é sim o conjunto. Por ter certeza de que não foi só a minha vida que melhorou, mas a de toda a população, principalmente aqueles que mais necessitam. E quando olho as demais empresas (clientes e prestadores de serviço), percebo mais ainda o quanto hoje o país encontra-se com economia fortalecida. Certamente ocorreram problemas, assim como em qualquer governo (crises políticas no FHC eram bem constantes para quem não se lembra), mas não tenho a menor dúvida de que com Dilma, o país (e mais importante, os brasileiros) vão seguir melhorando.  Enfim, sou Dilma porque avaliei com calma tudo que tem ocorrido e estou ciente de que o país tem que seguir mudando e melhorando cada vez mais, sem retroceder.

Não tenho qualquer pretensão de mudar opinião de quem quer que seja. Uma das maiores virtudes da democracia, pela qual Dilma tanto lutou, é podermos expressar opiniões divergentes sem problemas. Aqui no Paraná, o PSDB conseguiu impedir divulgações de pesquisa, dando uma boa mostra do que serão capazes caso cheguem ao governo. Espero, sinceramente, não pagar pra ver.

 

Além disso, eu só gostaria de acrescentar que acabei de sair de uma entrevista em uma empresa que, em 2 anos apenas, triplicou seu quadro de funcionários. Ah, e de pedir gentilmente para me retirarem de listas de destinatários a e-mails ofensivos à minha opinião. Digo e repito que não quero mudar a opinião de ninguém, e que ninguém vai mudar a minha.

 

 

Terraço

 

arrumei meu quarto

 

Eu separei as roupas sujas em três montinhos diferentes: um de roupas brancas, um com jeans e outro com calcinhas, meias e pijamas, sendo que esse último já está exercendo sua rotação em torno do eixo da máquina de lavar. Meu café, como sempre, não está aquelas coisas. Pelo menos não está ruim. Estou digitando com o dedo do meio da mão direita, porque comi o dedo indicador e está doendo e sim, eu digito catando milho.
Os panos de prato (que eu sempre chamo de guardanapo, mas aí as pessoas imaginam outra coisa, como se eu chamasse macaco de coelho, mas pra mim é guardanapo, eu só faço um esforço para ser compreendida) estão rasgados, desbotados e feios, mas eu acho charmoso. Dá um ar de desapego, e antes seja com os guard… panos de prato do que com as roupas. Meu quarto até que está organizadinho (fora os dois montinhos de roupas no chão, mas eu tive o cuidado de organizar os montinhos), e eu só queria traçar nessas linhas o panorama da minha vida neste momento.

 

panorama da minha vida (a álcool)

 

I’ll tell you some secrets

Ontem, enquanto eu fazia mais um dos exames pentelhos que eu ainda vou ter que fazer por mais algum tempo, me ocorreu que eu deveria passar pro blog (que anda às moscas) algumas das coisas que escrevi no início do tratamento. Aliás, não sei porque não escrevi aqui antes…

(13/07/2009 – alguns dias antes da 1ª quimio)

Estou me surpreendendo com a maneira como estou lidando com isso. Na primeira semana, houve alguns dias em que eu fiquei bem triste. Até em um daqueles meus habituais pesadelos em que eu sou assaltada/sequestrada, eu estava passando rímel em frente ao espelho e pensando: “será que é sonho?” (ignore o fato de eu passar rímel ao ser assaltada/sequestrada). E aí, durante aquela semana, sempre que eu estava fazendo alguma coisa banal, como lixar as unhas, passar hidratante ou tirar as cutículas, eu ficava me perguntando isso. E desejando, com todas as forças, acordar. Por mais que eu tentasse ser forte o tempo todo, era difícil. E até o assaltante/sequestrador dos pesadelos foi substituído por uma menina careca de camisola branca.
Mas sabe o que? Agora eu estou encarando tudo tão bem que eu nem fico mais me imaginando mais feia que o demônio quando meus cabelinhos se forem. Aliás, a esperança de que eles fiquem por aqui mesmo está persistindo!

Mas tem uma coisinha que martela aqui no meu célebro: sempre fico me perguntando o que eu estava fazendo no exato momento em que meu sistema imunológico falhou e meus linfócitos começaram a se proliferar desordenadamente. Será que eu estava tomando banho? Dançando? Cantando? Bebendo vinho? Colocando requeijão no meu miojo? Desejando a morte de alguém que mascava chicletes? Escolhendo qual creme comprar? Ouvindo Chico? Cartola? Colocando 7 ou 9 gotas de adoçante na minha caneca verde de café? (é provável que seja isso, aspartame é bem cancerígeno). Fazendo amor? Pensando que “mais me imagino do que sou/ ou o que sou não cabe/ no que consigo ser/ e apenas arde…”? Tentando aprender a cantar Águas de Março? Trancando a porta? Esquecendo o guarda-chuva? Tirando a sobrancelha? Escolhendo a cor do esmalte? Decidindo se lavo meu cabelo hoje à noite ou amanhã de manhã? Estendendo roupa no varal? Recolhendo-as? Colocando a(s) rolha(s) de vinho da noite passada na minha caixinha? Postergando alguma coisa importante? Me maquiando? Dormindo? Escolhendo uma roupa? Falando? Ouvindo? Esperando? Secando o cabelo? Com dificuldades para escolher uma música, seja porque gosto de todas ou porque já enjoei delas? Escrevendo? Lendo? Sentindo saudades? Ao telefone?

Meu coração, de tanto bater, formou um calo.
Mas ficou rebelde, o ingrato…

***

(28/09/2009 – deve ter sido depois da 3ª quimio, nem tudo são flores…)

Eu sei que eu não posso reclamar pq meu cabelo não caiu, mas eu sinto tantas saudades dele comprido… e sinto saudades de me sentir bonita, de não ter manchas nem esse catéter horrível. E de não ser amarela.
Nem lembro a última vez que me achei bonita. O máximo que eu consigo é olhar no espelho e pensar: não está tão mal assim…

Estou com saudades de mim antes de ficar doente.

***

Tudo isso já passou, e uma das coisas que aprendi (foram inúmeras, e pretendo escrever mais sobre isso) foi qual é a dor que dói mais: é a que estamos sentindo.

Agridoce

Adoro emoções contraditórias que se misturam e acabam até se confundindo. Igual ao horizonte: o mar e o céu, tão distantes, se tocam.
Quando eu estou mais feliz é sempre quando eu estou mais melancólica. Deve ser porque sou muito nostálgica. E as lembranças me deixam melancólica e feliz.
Antíteses são muito mais atraentes do que apenas hipóteses.
Eu gosto de chover pra cima.